O PATRONO
INFANTE D. HENRIQUE, O NAVEGADOR (1394-1460)​

O Infante foi uma das personagens da História de Portugal que maior notoriedade assumiu a nível internacional, ultrapassando todas as fronteiras e continentes. É inegável o papel decisivo que teve no arranque da expansão portuguesa, conforme atestam os cronistas da época, numa ação que, sobretudo, rompeu a bruma envolvente do mar tenebroso e libertou os homens das cadeias do medo e da ignorância, que os prendiam ao espaço próximo na sofreguidão do imediato e alheios da ambição legítima que lhes vem do sonho.
O Infante D. Henrique na cidade do Porto, a 4 de março de 1394, falecendo em Sagres a 13 de novembro de 1460, tendo vivido intensamente a alvorada da epopeia Portuguesa dos Descobrimentos, com momentos de entusiasmo, como o de Ceuta, ou de desânimo como o de Tânger.

A permanente concentração de meios navais e homens de mar na zona do Algarve, para prontamente zarparem em auxilio de Ceuta, sob controlo do Infante, protagonizou o fervilhar de viagens de exploração do Atlântico e teve no arquipélago da Madeira o prólogo dessa longa aventura marítima.

Aquando da sua morte, sob a sua orientação e administração tinha já sido explorada a costa ocidental africana até à Serra Leoa e estabelecidos diversos locais específicos de trato e comércio. É pois inegável que o infante D. Henrique teve um papel decisivo no arranque da expansão portuguesa e que foi esta a via que levou o homem da Idade Média à modernidade.

Não é pois de estranhar que a figura do Infante e de tudo o que representa para as navegações portuguesas, tenha sido escolhida para patrono do primeiro curso que começou em 1936, após a transferência da Escola Naval do Arsenal para o Alfeite, que coincidiu, simultaneamente, com a entrada em vigor de um novo regulamento que, pela primeira vez desde a fundação da Escola Naval, estabeleceu que cada curso passasse a ter o seu próprio patrono, escolhido entre vultos nacionais de grande relevo para a história de Portugal.

Contudo, sabe-se que a figura e, nomeadamente, a divisa do Infante teria sido adotada pela Escola Naval, em data anterior, embora se desconheça exatamente quando.

In “Escola Naval – Talant de Bien Faire” de Augusto Salgado

DIVISA
TALAN​T DE BIEN FAIRE​

Tem a Escola Naval como divisa a expressão “T​alant de bien faire”, reproduzindo o que já fora o lema do Infante D. Henrique, seu superior patrono. O “Talant de bien faire” ficou gravado no túmulo do Infante, no Mosteiro da Batalha, e popularizou-se sobretudo quando, em 1839, o historiador francês Ferdinand Denis encontrou na Biblioteca Nacional de Paris um códice encabeçado pelo título “Cronica dos feitos notavees que se passarom na conquista de Guinee por mandado do Iffante dom Henrique”[Crónica da Guiné]. No meio dos respectivos fólios encontrava-se uma imagem dobrada representando um homem de chapelão que se identifica habitualmente com o Infante D. Henrique, e, na parte inferior da folha, pode ler-se a referida expressão “talant de bien faire”.

TALANT DE BIEN FAIRE quer dizer talante, desejo ou vontade de bem fazer, e exorta a um esforço pessoal de perfeição. Não tem nada a ver com a deturpação que, por facilidade, se dá à palavra “talant”, substituindo-a por “talent”, cujo sentido apontaria para uma qualidade própria, intrínseca e independente da vontade ou do esforço de quem a possui.

O uso desta na Marinha Portuguesa é secular e seria demasiado extensa a descrição de como o uso da divisa se restringiu à Escola Naval, mas sabemos que em 1894, ano do quinto centenário do nascimento do infante D. Henrique, chegou a ser considerada a substituição da divisa da Marinha – “A Pátria honrai que a Pátria vos contempla” – criada em 1863 por Mendes Leal, pela divisa do infante, nunca chegou a concretizar-se.

In “Escola Naval – Talant de Bien Faire” de Augusto Salgado​